
Me sinto vazio, com absolutamente nada à acrescentar.
Sem palavras infladas para impressionar.
Sem sorrisos sinceros para conquistar.
Me sinto esgotado, sem pretextos, sem vontades. Sem o que me preocupar.
Ando vagando, desocupado, sem compromisso.
Me sinto sem controle, inerte e despreocupado.
Sem sentimentos profundos, com lembranças vagas, quase esquecimentos na verdade.
Eu me sinto alérgico, fechado e mesmo assim desprotegido. Duas forças que se repelem, sinto falta, sinto um espaço vazio.
Ouço baterem à porta, eu tenho a chave, mas não abro.
Ouço o telefone tocar, está do meu lado, mas não atendo.
Vejo o trem chegar, estou com o bilhete na mão, mas não embarco.
Talvez eu espere, espere muito, me canse, desista, ou continue esperando que, quem sabe, alguém me tire dessa monotonia que se tudo se tornou.
